Suíça salva Credit Suisse com US$ 54 bilhões. Mercado respira aliviado – Egídio Serpa


Ontem, quarta-feira, 15, foi um dia tumultuado nos mercados financeiros mundiais. Tudo porque o famosíssimo e respeitadíssimo Credit Suisse, que até então era um dos mais sólidos bancos europeus – o segundo maior do país helvético – entrou em crise e suas ações despencaram 24% durante o pregão das bolsas de valores da Europa. 

Isso aconteceu porque banco não suportou as pressões de depositantes e credores depois de 12 meses de notícias ruins sobre a instituição, algumas das quais escandalosas. 

As ações do Credit Suisse, que em 2008 valiam 80 francos suíços, foram negociadas ontem por apenas 1,70 franco suíço. 

A situação ficou mais grave ontem depois que o maior credor do Credit Suisse, o Banco Nacional da Arábia Saudita, anunciou que não fará qualquer nova alocação de dinheiro na instituição. 

O banco saudita detém 10% do capital do Credit Suisse. O presidente do Saudi National Bank, Ammar Khudayri, disse: 

“Não podemos passar de 10%. Trata-se de uma questão regulatória”.

Para resolver a situação, o Banco Nacional da Suíça, que é o Banco Central de lá, comunicou ao mercado, ontem à noite, que emprestará US$ 53,6 bilhões ao Credit Suisse por meio de uma linha de liquidez de curto prazo. Esse empréstimo apoiará os principais negócios e clientes do banco.

A crise financeira do banco suíço veio na esteira da falência de três bancos nos Estados Unidos, entre os quais o Silicon Valley Bank, o chamado banco das empresas de tecnologias. 

No caso desses bancos, eles foram salvos pelo governo norte-americano, que garantiu todos os depósitos, incluindo os superiores a US$ 250 mil. 

Mas o caso do Credit Suisse pôs mais lenha na fogueira do que poderá ser o início de uma crise no mercado financeiro mundial, que terá desdobramentos durante esta quinta-feira.

Aqui no Brasil, a Bolsa de Valores B3 que à tarde chegou a cair 2%, fechou o dia com perdas de apenas 0,25%, aos 102.675 pontos. 

O dólar teve alta de 0,70%, fechando cotado a R$ 5,29. 

Foi a aversão ao risco, provocada pela possibilidade de falência do segundo maior banco da Suíça, que provocou a baixa não só da bolsa brasileira, mas também das dos Estados Unidos e da Europa.

E dos EUA chegaram notícias de que a política de aperto dos juros dá sinais de que está dando certo. 

Ontem, o Índice de Preços ao Produtor caiu 0,1%, enquanto as vendas no varejo recuaram 0,4%, ou seja, 0,1% a mais do que estimava o mercado. Isto ajudará o Federal Reserve, o Banco Central norte-americano, a ser comedido em sua próxima decisão sobre os juros da economia do país. 

A aposta é de que esses juros serão aumentados em apenas 0,25%. A reunião do FED será na próxima semana, nos dias 21 e 22, mesmas datas da reunião do Copom do Banco Central do Brasil.

Por sua vez, no mercado brasileiro, a expectativa gira em torno da divulgação da proposta de criação do novo arcabouço fiscal, que substituirá o teto de gastos. A proposta está sob análise do presidente Lula, e poderá ser publicada na próxima semana, após estudos que a Casa Civil está fazendo com o apoio de técnicos dos ministérios da Fazenda e do Planejamento.

Conturbando o pregão de ontem da Bolsa B3, também contribuiu a informação de que a atividade industrial da China, no recente mês de fevereiro teve alta de somente 2,4%, ou seja, menor do que os 2,6% esperados pelo mercado. 

Isso fez com que o preço internacional do petróleo caísse de novo, e caiu 3,71%, cotado a US$ 77,58. Resultado: caíram as ações das empresas brasileiras de petróleo, como a PetroRecôncavo e a Petrobras. Os papeis da PetroRecôncavo desabaram 19,27%, enquanto as da Petrobras caíram 1,77%.

Hoje, quinta-feira, o Banco Popular da China, que é o Banco Central de lá, anunciou que fará “detecção, correção e rápida eliminação de riscos financeiros”. 

E anunciou mais: vai continuar a reduzir, ativa e sustentadamente, o número de instituições financeiras de alto risco no país. 

Traduzindo: a China vai fechar os bancos que podem oferecer riscos aos seus depositantes e ao próprio sistema financeiro do país.  

Na China, há cerca de 300 bancos com potencial de risco.

É a natural e providencial consequência da falência de três bancos nos Estados Unidos e a ameaça de falência do segundo maior banco da Suíça. 

Os chineses são previdentes.

Em tempo: as bolsas de valores europeias abriram em alta nesta quinta-feira. As ações do Credit Suisse sobem quase 30%. Mas o dia é longo. 

Hoje, reúne-se o Banco Central Europeu, que deve subir em 0,50% a taxa de juros da economia da Europa.





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