Lula fala de novo contra o BC e diz que reestatizará a Eletrobras – Egídio Serpa


Ontem, foi mais um dia em que o presidente Lula falou. E falou para um site do PT. Ele disse, entre outras coisas, que a privatização da Eletrobras, feita há sete meses, foi um crime de lesa-pátria. Lula adiantou que, se houver condições, seu governo reverterá essa venda, tornando estatal, de novo, a Eletrobras, que, entras companhias, controla a Chesf. 

Analistas do mercado e, também, juristas admitem que reestatizar a Eletrobras será uma tarefa muito difícil, mas o presidente Lula reiterou que, se houver condição, a privatização da empresa será revertida. 

Tão logo chegou ao mercado a declaração de Lula, as ações da Eletrobras entraram em queda, recuando 2% no pregão da Bolsa de Valores B3.

Lula, claramente jogando para a sua plateia de apoiadores, voltou a criticar o Banco Central e o seu presidente, economista Roberto Campos Neto, pressionando-os a reduzir as atuais taxas de juros. Como essa redução não deverá acontecer agora, Lula mantém o discurso com o objetivo de dizer para o público que seu governo não é o culpado pela pouca oferta de crédito e pela falta de investimento público e privada, que são consequência dos juros muito altos. Os juros reais no Brasil estão por volta de 8% ao ano, colocando-os entre os mais altos do mundo.

Na mesma entrevista ao site do PT, o presidente Lula informou que determinou ao presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, que suspenda todos os processos de venda de ativos da empresa.

Ele também disse que o texto da proposta do novo arcabouço fiscal, que seria divulgado nesta semana, só o será quando ele voltar da viagem à China, que começará no próximo sábado. 

Lula, desta vez, acertou na mosca: ele argumentou que não adiantaria o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciar a nova matriz fiscal e, em seguida, viajar para a China, deixando aqui muitas dúvidas e muitas perguntas sem resposta, principalmente junto ao Senado Federal e à Câmara dos Deputados, onde a proposta será examinada, debatida e aprovada, ou não. 

Diante de tudo isso, a reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central, o Copom, que se realiza desde ontem e terminará no início da noite de hoje, não será afetada pela proposta da nova política fiscal do governo. Havia a expectativa de que o Copom pudesse adotar alguma decisão com base na proposta, mas isto agora está descartado. O máximo que poderá acontecer será a sinalização, que virá na ata da reunião, de que os juros serão reduzidos a partir da próxima reunião, em maio.

Todas as apostas do mercado são no sentido de que o Copom manterá inalterada a taxa básica de juros Selic, que desde agosto do ano passado se mantém no patamar de 13,75% ao ano.

Mas as declarações do presidente Lula derrubaram a Bolsa de Valores B3, cujo pregão de ontem estava em alta superior a 1%, mas fechou o dia praticamente no zero a zero, com um ganho de apenas 0,07%, aos 100.998, o que quer dizer que o Índice Ibovespa da B3 pode cair abaixo dos 100 mil pontos. O dólar, por sua vez, também subiu um pouquinho, só 0,05%, encerrando o dia cotado a R$ 5,24.

Nesta super quarta-feira, como a denomina o mercado, o Federal Reserve, o Banco Central dos Estados Unidos, também conclui sua reunião periódica, que foi iniciada ontem. A expectativa é de que o FED aumentará em 0,25% a taxa de juros da economia norte-americana, onde a inflação ainda resiste mas dando tênues sinais de queda. Mas há apostas no sentido de que o FED manterá inalterada a atual taxa de juros, tendo em vista os últimos acontecimentos que envolveram a falência de três bancos do país.

E uma pesquisa feita pelo Bank of America junto a 212 gestores de fundos de investimento revelou que o temor de um evento de crédito sistêmico mete mais medo hoje no mercado do que a inflação.

De acordo com a agência Bloomberg, que divulgou os resultados da pesquisa, esse temor concentra-se no sistema bancário dos EUA, nas dívidas das grandes corporações norte-americanas e no mercado imobiliário dos países desenvolvidos.

A pesquisa indicou que 31% desses gestores consideram a possibilidade de uma crise de crédito como a maior ameaça à economia mundial. Mas a chance de uma recessão global também assusta os 212 gestores ouvidos pelo Bank of America.

Resumindo: o horizonte da economia mundial – a do Braskil no meio – está pintado de nuvens cinzentas

 





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