Governo dos EUA salva o Silicon Valley Bank e evita caos mundial – Egídio Serpa


Havia uma grande expectativa em torno do que poderia acontecer hoje nos mercados mundiais como consequência da falência do Silicon Valley Bank, o SVB, cuja administração foi ocupada na sexta-feira, 10, por agentes reguladores que garantiram o resgate de todos os depósitos no valor de até R$ 250 mil. 

Seria hoje uma segunda-feira negra, mas o governo dos Estados Unidos, com o apoio do Federal Reserve, que é o Banco Central de lá, decidiu intervir na falência do SVB e anunciou ontem à noite que garantirá todos os depósitos, independentemente do seu valor, ou seja, não só os depósitos de até R$ 250 mil, mas os de cifras mais altas. 

Todo o caos que gerou a falência do SVB começou quinta-feira passada, dia 9, quando apareceram indícios de quebra do banco. Somente nesse dia, foram sacados R$ 42 bilhões. Os ativos administrados pelo banco chegavam a US$ 212 bilhões.

O SVB era uma instituição que emprestava dinheiro preferencialmente paras as startups, que são empresas emergentes, recém criadas, ainda em fase de desenvolvimento, com propostas inovadoras destacadamente na área de tecnologia. Mas o SVB também tinha em sua carteira muitas empresas de variados setores da economia que também tinham dinheiro depositado e aplicado no SVB.

Todo o mercado financeiro mundial temia que se repetisse nesta segunda-feira o que aconteceu na grande crise econômica de 2008, quando faliu o banco Lehman Brothers, que tinha uma dívida de US$ 613 bilhões e empregava 25 mil pessoas. 

O Silicon Valey Bank emprega 8 mil pessoas, que foram, sexta-feira, convidadas pelos reguladores a trabalhar por mais 45 dias, ganhando uma vez e meia o salário atual, até que a situação do banco seja resolvida.

Shalanda Young, diretora do Gabinete de Administração e Orçamento da Casa Branca tentou acalmar o mercado, ao dizer que a situação da rede bancária é hoje bem diferente da de 2008, razão pela qual ela descarou uma possível quebradeira em cascata, como efeito dominó da falência do SVB.

Para Shalanda, as reformas implementadas no sistema financeiro dos Estados Unidos logo após a falência do Lehman Brothers deram mais solidez aos bancos e mais ferramentas aos agentes reguladores do mercado.

Mas, pelo que se vê e ouve, não é bem assim.

No sábado, a secretária do Tesouro norte-americano Janet Yellen, assegurou que não haveria resgate para salvar o Silicon Valley Bank, mas prometeu que os seus depositantes seriam ajudados. Ela afirmou que o sistema financeiro dos EUA movimenta US$ 23 trilhões e que não será a quebra do SVB que causará problemas a esse sistema, “que é seguro e muito bem capitalizado”.

A Krol, uma empresa especializada em consultoria de risco, disse ser improvável que a falência do SVB se estenda aos grandes bancos, mas advertiu que os pequenos bancos comunitários podem enfrentar dificuldades se os depositantes do banco falido não forem logo socorridos.

Isso poderia acontecer, se não houvesse, como houve ontem à noite, a decisão de intervenção do governo norte-americano para garantir todos os depósitos.

Mas, na esteira da falência do SVB, outro banco, o Signature Bank, de Nova Iorque, também faliu e foi fechado pelos agentes reguladores norte-americanos, mas seus depositantes não terão prejuízos, pois poderão sacar hoje os seus depósitos, da mesma maneira que os clientes do Silicon Valley Bank, de acordo com comunicado do Departamento do Tesouro dos EUA.

E mais cedo do que se esperava, a crise do SVB chegou à Europa.

Ontem, em Londres, segundo informou a agência Reuters, a falência do SVB poderia afetar duramente o setor financeiro do Reino Unido, onde o Silincon Valley Bank tem uma subsidiária, o SVB UK.

Mas, para evitar uma crise de largas consequências, o chanceler do Tesouro inglês, Jeremy Hunt, informou que, depois de reunião com o primeiro-ministro Rishi Sunak, e com o governador do Banco da Inglaterra, ficou acertado que serão anunciadas hoje medidas para proteger as startups britânicas, seus funcionários e seus depositantes. 

Porém, ontem, à noite, em Londres, foi anunciado que o HSBC, um dos maiores bancos da Europa, comprou por uma libra esterlina e já assumiu o controle do capital do SVB UK, que é a subsidiário do SVB no Reino Unido, garantindo, assim, todos os depósitos de todos os clientes do banco, no que é mais uma boa notícia para acalmar os mercados mundiais no dia de hoje.

Em Israel, o governo também estuda medidas para proteger suas startups que têm dinheiro aplicado no SVB.

E em Pequim o governo chinês disse ontem, domingo, que foram mínimas as repercussões da falência do Silicon Valley Bank na sua economia, mas aproveitou para dizer que o sistema financeiro dos Estados Unidos é um grande fracasso. Os chineses não perdem a oportunidade para cutucar os norte-americanos, sua economia e seu governo.

Resumindo: o governo dos EUA agiu rapidamente para solucionar a crise aberta com a falência do SVB. Ou seja, evitou-se que o que parecia ser um giro virasse um jirau.

Como consequência, as bolsas de valores da Europa abriram hoje em alta.

Do sistema financeiro para a área do petróleo: a empresa Aramco, da Arábia Saudita, maior companhia petrolífera do mundo, anunciou ontem que, em 2022, obteve um lucro de US$ 161 bilhões de dólares. A causa foi os aumentos dos preços internacionais do óleo cru que se registraram após o início da guerra na Ucrânia.  

Foi essa mesma causa que levou a Petrobras a registrar, no ano passado, o maior lucro de sua história e da história das empresas privadas brasileiras: R$ 188 bilhões. 

O petróleo ainda continuará fazendo a festa por mais tempo.

 





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