Em meio a disputas entre EUA e China, Brasil se prepara para lançar novo satélite com asiáticos – Notícias



Em meio ao conflito geopolítico entre Estados Unidos e China, o Brasil prepara o lançamento de um novo satélite em parceria com o governo chinês, ainda no mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para monitorar a Amazônia. A informação é da ministra de Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos. Uma fonte no governo disse ao R7 que a iniciativa não tem nenhuma relação com questões militares.


O equipamento serviria para monitoramento ambiental de todo o território brasileiro, inclusive da floresta amazônica, conhecida mundialmente pelas riquezas ambientais, minerais e genéticas, que são alvo de cobiça internacional. Historicamente, o uso de equipamentos estrangeiros para observação do território amazônico é alvo de polêmica.


Em 1995, no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), foram usados equipamentos vindos dos Estados Unidos no projeto do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam). Na época, a empresa de equipamentos de defesa Raytheon forneceu o material.



O lançamento do novo satélite será tratado durante viagem de comitiva do governo brasileiro e de empresários à China. A viagem, que contará com a presença da ministra e do presidente Lula, acontecerá no fim deste mês.


Segundo a ministra, será detalhado junto ao governo chinês o desenvolvimento dos satélites CBERS-5 e do CBERS-6, siglas para China-Brazil Earth-Resources Satellite — Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres, em português. “Estamos avaliando para qual dos dois satélites deveríamos ter medidas de curto prazo”, disse.


O novo satélite deve ter função de radar e conseguir processar com mais precisão imagens capazes de produzir dados sobre queimadas, desmatamentos e invasões. No Brasil, praticamente todas as instituições ligadas ao meio ambiente já fazem uso das imagens dos quatro satélites CBERS.


O governo brasileiro trabalha para voltar da viagem tendo parcerias concretas com a China, após uma ida aos Estados Unidos com baixa efetividade nos resultados comerciais. As negociações sino-brasileiras ocorrem em um momento em que os governos americano e chinês travam disputas comerciais e geopolíticas e enfrentam questões que envolvem uma guerra de narrativas sobre os “balões-espiões”.



Durante a parceria com a China em relação ao lançamento de satélites, iniciada na década de 1980, o Brasil enfrentou desconfianças por parte da Casa Branca. Em 2007, desenvolvedores brasileiros sofreram restrições por parte dos EUA para avançar no projeto e enfrentaram dificuldades para importar peças.


Isso porque os Estados Unidos temem o avanço chinês na disputa pela hegemonia espacial, sobretudo militar. Não há indicação, por parte do governo brasileiro, de que o novo satélite tenha qualquer tipo de componente militar, mas as autoridades americanas sustentam que a tecnologia chinesa não distingue o teor dos projetos. 


O R7 apurou que o interesse em expandir o parque nuclear brasileiro pode vir à tona nas conversas entre o empresariado brasileiro e o chinês durante a viagem. Empresas da China já sinalizaram que querem realizar aportes para obras de Angra 3 e a construção de outras usinas nucleares.



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