Briga entre torcidas: Estado planeja Delegacia do Torcedor e tecnologia para identificação por CPF – Segurança


Brigas entre torcidas de futebol voltaram a preocupar autoridades cearenses, nos últimos meses. O ápice foi a morte do torcedor do Ceará, Ítalo Silva de Lima, no último sábado (18). Para combater a violência no esporte, o Estado planeja a criação de uma Delegacia do Torcedor e a implementação de uma tecnologia que permitirá identificar os torcedores e barrar infratores na entrada dos estádios.

Quatro suspeitos foram presos em flagrante, pela Polícia Civil do Ceará (PC-CE), por suspeita de participar do linchamento contra Ítalo. As prisões preventivas foram decretadas pela Justiça Estadual, e as investigações seguem a cargo do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP).

Mas o coordenador do Núcleo de Defesa do Desporto e do Torcedor (Nudtor), do Ministério Público do Ceará (MPCE), o promotor de Justiça Edvando França, acredita que as investigações policiais precisam ser ampliadas, para punir os torcedores envolvidos nas brigas e evitar novos conflitos, no Estado.

“A gente precisa que uma Delegacia do Torcedor seja criada, para continuar as investigações. Não basta prender dois, cinco, tem que continuar as investigações”, defendeu França, em entrevista exclusiva ao Diário do Nordeste.

Questionada sobre a criação de uma nova delegacia da Polícia Civil, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) respondeu em nota que “a implantação de uma delegacia especializada da PC-CE responsável por investigar ocorrências envolvendo torcedores está prevista no plano de modernização da instituição”. Entretanto, o prazo da instalação da Unidade não foi divulgado.

Tecnologia pretende barrar infratores

Outra estratégia do Estado para diminuir a violência entre as torcidas de futebol é a implantação de uma tecnologia, batizada de Cortex, que irá identificar cada torcedor que ingressar nos estádios, através do Cadastro de Pessoa Física (CPF), e, assim, barrar infratores.

O sistema Cortex foi desenvolvido através de uma parceria entre o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e testado pela primeira vez no jogo entre Fluminense e América-MG, pela Série A do Campeonato Brasileiro de Futebol, no dia 9 de outubro do ano passado.

“Funciona da seguinte forma: o Sistema é integrado às catracas do estádio. Quando o torcedor for na bilheteria comprar seu ingresso, vai dar seu CPF, que vai para a base de dados nacional e vai identificar se a pessoa tem um mandado de prisão em aberto, uma ordem de banimento do estádio. Na hora em que ele chegar no estádio, a catraca vai travar e ele não vai entrar no estádio”, explica o promotor de Justiça Edvando França.

A Arena Castelão e o Estádio Presidente Vargas já têm catracas que podem receber essa tecnologia. Falta pouca coisa para o Estado implantar o sistema Cortex dentro das catracas. Espero que até o meio do ano (atual) já tenha isso.”

Edvando França

Promotor de Justiça coordenador do Nudtor

Ao ser procurada sobre o assunto, a Secretaria do Esporte do Ceará (Sesporte) respondeu que “o processo de identificação do torcedor, com a instalação da tecnologia na Arena Castelão, é de interesse do Governo do Ceará. O processo ainda está iniciando com conversas entre os órgãos responsáveis pela realização dos jogos e é aguardado o convênio com Governo Federal para implementação”.

Apesar da morte de Ítalo e das brigas recorrentes entre as torcidas organizadas, do ano passado para cá, o coordenador do Nudtor Edvando França afirma que “antigamente, você ia para o estádio, o entorno era um sufoco, com bomba de gás, bala de borracha. Nem dentro do estádio nem no entorno, tem mais esses confrontos. Esses confrontos estão cada vez mais longe do estádio”. “Isso é uma vitória”, classifica.

Uma briga registrada dentro da torcida do Fortaleza, na Arena Castelão, durante o jogo contra o rival Ceará, no último dia 5 de março, foi uma “exceção”, para França. “Porque já é difícil se preparar para um confronto entre torcidas rivais, imagina um confronto de torcidas da mesma cor. É algo absurdo”, explica.

Veja vídeos das brigas no último Clássico-Rei:

A SSPDS afirma que “realiza o reforço do policiamento durante partidas de futebol de alta demanda por meio de planos operacionais desenvolvidos pela Coordenadoria Integrada de Planejamento Operacional (Copol)”.

O planejamento das ações inclui a atuação de equipes da Polícia Militar do Ceará (PMCE), Polícia Civil do Estado do Ceará (PC-CE) e do Corpo de Bombeiros Militar do Ceará (CBMCE), além de outras coordenadorias da SSPDS, como Coordenadoria de Inteligência (Coin) e Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops). As ações preventivas e ostensivas são elaboradas também em alinhamento com as forças amigas.”

Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará

Em nota

A Pasta acrescenta que a Polícia Militar “realiza diversas reuniões com as torcidas organizadas, no intuito de conscientizar e orientar as mesmas acerca de suas obrigações, em especial no que diz respeito à segurança do evento esportivo. Importante salientar que todos que promovem, organizam, coordenam ou participam dos eventos esportivos são, por lei, responsáveis pela prevenção da violência nos esportes, conforme Art.1º-A. do Estatuto do Torcedor”.

 

De acordo com dados da PMCE,  9.967 policiais militares empregados em 188 jogos de futebol no ano de 2022, quando foram registrados 84 Boletins de Ocorrência (BOs) e 204 Termos Circunstanciados de Ocorrências (TCOs). 13 suspeitos foram capturadas em flagrante e 8 atos infracionais, registrados, durante as partidas. Os números de 2023 não foram divulgados.





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